Comemoração cívica da Independência em Padre João Afonso

Set 11, 2018 Escrito por 
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Comemorar a independência requer muita coragem por parte de nós brasileiros, haja vista que ainda há muito para se libertar.

São muitas as mazelas que atingem nossa Pátria Amada, Brasil. Mas um povo que se cala, consente.

É por isso que, mais uma vez, como há muitos anos, a comunidade de Padre João Afonso, por meio das escolas Estadual e Municipal, sai às ruas com seus pelotões em marcha, mas também em protesto contra toda forma de opressão e desigualdade.

Nesse ano de 2018, com o tema propondo uma viagem à história de Minas Gerais, os pelotões vem abordando diferentes vertentes dessa trajetória.

Com o diferencial de marchar em sentido oposto, seguindo da Praça da Igreja N. Sra. do Perpétuo Socorro até o Ginásio Poliesportivo, recém construído na comunidade, o evento de encerramento do desfile também marca o acesso a esse espaço (o ginásio), que é tão importante para que a comunidade consiga realizar eventos e atividades desportivas e de lazer num ambiente tão bom, público e necessário.

Os pelotões:

História e Política – Numa abordagem desde a trajetória de exploração do ouro e dos demais minérios em Minas Gerais, esse pelotão representou bandeirantes, escravos, índios e outros, como sujeitos da época da colonização. Abordou ainda a criação da 1ª vila mineira, Mariana, foi a primeira capital da capitania das Minas Gerais e é uma das joias preciosas do circuito histórico do Estado. Trouxe representações de figuras ilustres e reconhecidas de Minas Gerais que contribuíram para a história de diferentes formas e, no quesito belezas de Minas, trouxe a exposição Saberes e Sabores, com amostras artesanais locais e comidas típicas mineiras, selando os conhecimentos adquiridos dos antepassados e que perpetuam, tecendo também a nossa história e dizendo muito de nós.

Como forma de protesto, o grito por ações concretas na política e que venham de encontro às especificidades dos povos, seja no campo ou na cidade, fazendo valer direitos e ajudando na valoração dos sujeitos.

Floristas: As crianças marcharam simbolizando a pureza e a inocência. Trazendo frutos e flores, elementos da terra. Como protesto, a apresentação trouxe o grito da agricultura sustentável, da agroecologia e do uso consciente de defensivos agrícolas, a fim de não comprometer a saúde das diversas gerações e não contaminar nossos solos, nossas águas e nosso ar. É o grito em defesa de uma vida saudável e da valoração do agricultorfamiliar.

As crianças da Escola Núcleo representaram elementos do folclore: mitos locais e nacionais e que perpetuam o imaginário dos povos, reforçando a identidade e o sentimento de pertença. O folclore é um elemento da cultura que efetivamente contribui no aprendizado, ao incentivar o imaginário e a criatividade, quando essas histórias são contadas de geração emgeração.

Fanfarra: Representando um sonho dos nossos jovens e uma conquista alcançada, mais uma vez a fanfarra abrilhantou o desfile. Na nossa realidade, esse tipo de  barulho ordeiro traz em si um grito para fazer perceber que temos voz e desejamos ser ouvidos nas nossas necessidades. É uma forma de chamar a atenção dopoder público para as nossas inúmeras necessidades edireitos.

Educação e Linguagens: Trouxe o protesto contra o descaso com a educação no país e em Minas Gerais e grita pelo direito a uma educação de qualidade, com recursos, laboratórios, áreas de lazer, material didático específico, melhorias na merenda escolar, investimentos no Tempo Integral que, sobretudo na nossa comunidade, é muito importante, melhores salários e condições de trabalho para os servidores da educação, e melhorias no transporte escolar e nas condições das estradas.

 

Em seguida, chama a atenção para a Educação do Campo, garantida por Diretrizes específicas e que necessita investimentos igualmente específicos, dadas as diferentes formas de campo que existem e as necessidades próprias dessa realidade. O olhar para o campo requer equidade; o campo é diferente e precisa ser olhado diferente.

Trouxe também uma excursão pela trajetória da língua, abordando ainda o preconceito linguístico que deve ser combatido e denunciado nas diversas esferas em que ocorre, a fim de que estereótipos sejam abolidos  e o respeito prevaleça entre e para com os povos, sobretudo os tradicionais, com seus costumes etradições.

Trouxe ainda autores mineiros representados, ressaltando a importância da educação, do investimento e da leitura, como ferramentas de emancipação dos sujeitos. Quem lê, desbrava o mundo.

Vestuário: Fez um percurso sobre diferentes modos de se vestir, do séc. XVII ao séc. XXI, retratando diferentes povos em diferentes épocas. O modo de se vestir de um povo revela muito de sua história e está intrinsecamente ligado à sua cultura e à forma como se relaciona como o meio em que está inserido.

Esporte: Trouxe uma abordagem local, representando os jogos escolares como o Fair Play, que agrega as escolas do campo numa disputa e confraternização entre realidades mais semelhantes, e o JEMG, que, embora seja uma competição mais acirrada, traz em si a possibilidade do contato com diversas realidades, e contribui no sentido de fazer perceber o quanto são necessários maiores investimentos no esporte para os povos do campo.

Trouxe ainda um enfoque na participação da narradora feminina de futebol na Copa do Mundo 2018, Isabelly Morais, tendo sido a primeira mulher do Brasil a conseguir esse posto numa Copa do Mundo. Assim, grita por maiores investimentos para as mulheres no esporte e pelo direito de estarem nesse espaço e terem oportunidades iguais.

Na representação do Tae Kun Do, trouxe o trabalho que vem sendo desenvolvido no Tempo Integral e que tem contribuído ativamente para a nossa comunidade, como mais uma alternativa contra a violência, a favor do ser humano, sendo essa uma atividade que melhora visivelmente a autoestima e confiança dos estudantes.

Houve a participação efetiva dos estudantes da comunidade e entorno, da Licenciatura em Educação do Campo – LEC, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM, bolsistas do PIBID e do Residência Pedagógica na Escola Estadual Padre JoãoAfonso.

Na abertura do momento cívico, no ginásio, as estudantes Agnys Oliveira, do  1º ano do Ensino Médio e Séfora Matos, do 8º ano do Ensino Fundamental, declamaram uma releitura de um trecho do Hino Nacional Brasileiro, complementado com uma abordagem sobre o fogo, ambos produzidos pela prof. Ângela Rita Teixeira, numa perspectiva de reivindicação de direitos no contexto atual, e de protesto contra o incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, já que o tema do desfile foi a história. Houve a participação do estudante Danilo Ribeiro, do 2º ano do Ensino Médio, que entrou segurando uma tocha acesa, enquanto o poema “O fogo” foi declamado. O mesmo vestia trajes que representavam a década de 60, para fazer lembrar que passado e presente se complementam e não podemdissociar-se.

À voz de comando do ex-aluno Reubem Almeida (que também integrou a fanfarra desse ano, junto a outros ex-alunos), foi entoado o Hino Nacional Brasileiro.

Em seguida, houve a participação de moradores da comunidade, previamente convidados pela escola, que representaram diferentes segmentos, ao som da música “Seio de Minas”, cantada pela estudante do 1º ano do Ensino Médio, Ellen Matos e acompanhada pela viola de Reubem Almeida. Enquanto entravam, alguns colocavam sobre a mesa, elementos que representavam seu trabalho e/ou profissão ou sua atuação na comunidade.

Foi feita uma apresentação pelos estudantes da Escola Núcleo sobre a lenda do Monstro da Igreja Matriz, conto do folclore local de Itamarandiba, que trouxe crianças caracterizadas e a declamação de quadrinhas que contavam a história.

 

O locutor de rodeio da comunidade, Marcelo Ferreira declamou uns versos sobre o evento, como forma de valorizar o rodeio que tem acontecido anualmente na comunidade, por meio da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Padre João Afonso, e que tem conseguido integrar diferentes grupos, além de ser uma opção de lazer acessível à comunidade.

Em seguida, os diretores Cristiano Afonso Fernandes, e Cássia Vitor Silva, das Escolas Estadual e Municipal, fizeram os agradecimentos finais e cumprimentaram a comunidade e as escolas pelo excelente eventorealizado.

E assim, mais uma vez, a comunidade de Padre João Afonso se destaca por esse momento que tem sido sempre marcado pela valoração da realidadelocal, perpassando o contexto global, de forma crítica, consciente e fomentando a posição da escola, a de formar cidadãos críticos e atuantes nasociedade.

Parabéns a toda a comunidade escolar pelo brilhante trabalho!

 

Redação: Ângela Rita Teixeira

 

Anexos – Poema declamado Ouçam!!!

Ouçam pelas montanhas de Minas Gerais, De um povo guerreiro, um brado retumbante Por justiça, saúde, educação e direitos

Soa no céu da pátria a todo instante Oh, Brasil, Pátria amada,

salve! Salve!

Salve? Salvem a nossa pátria! Brasil de sonhos intensos

De mil raios vívidos, De mil raios vívidos...

de amor, de paz e esperança nosso peito entorpecem

nosso peito que queima como fogo E quando o peito arde comofogo

Acende-se uma chama dentro da gente Que precisa brilharintensamente

Que precisa nos consumir todo dia Para que a gente aprenda

Que é frágil, mas forte Que tem direitos e sonhos Que luta e alcança

Que há uma diversidade de chamas De gente em labaredas

Que grita

Que o fogo não foi feito para consumir nossa história Ou transformá-la em cinzas

Mas para intensificar nossa luz Na luta por dignidade!

( Ângela RitaTeixeira) 

Redação

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